Refluxo em Florianópolis: Sintomas, Causas e Quando a Cirurgia é a Melhor Solução
Aquela sensação de queimação que sobe do estômago ao peito depois de uma refeição ou ao deitar é familiar para muitos. Frequentemente chamada de azia, ela pode ser um sinal de algo maior: a Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE). Meu nome é Dr. João Mendes, sou cirurgião do aparelho digestivo, e no meu dia a dia em Florianópolis e Chapecó, ajudo pacientes a entender e tratar essa condição que afeta tanto a qualidade de vida.
O refluxo não é apenas um incômodo. Se não for tratado, pode levar a problemas mais sérios. Por isso, meu objetivo é sempre abordar cada caso com precisão, cuidado e propósito, encontrando a melhor solução para que você possa viver sem dor e desconforto.
Principais Sintomas de Refluxo: Mais do que Apenas Azia
Embora a queimação (azia) seja o sintoma mais famoso, a DRGE pode se manifestar de várias formas. Em minha prática clínica, observo que muitos pacientes demoram a associar outros sinais ao refluxo. Fique atento se você sentir:
- Regurgitação: A volta do conteúdo ácido do estômago para a boca, com um gosto amargo.
- Dor no peito: Muitas vezes confundida com problemas cardíacos, é uma dor forte atrás do osso esterno.
- Tosse crônica, rouquidão ou pigarro: O ácido pode irritar a garganta e as cordas vocais, principalmente à noite.
- Dificuldade para engolir (disfagia): Sensação de que a comida está "presa" no caminho.
- Asma ou bronquite de repetição: Em alguns casos, o refluxo pode agravar ou até mesmo causar problemas respiratórios.
Quando a Azia se Torna um Sinal de Alerta?
Uma azia ocasional pode acontecer com todo mundo. O problema é quando ela se torna frequente (duas ou mais vezes por semana) e começa a atrapalhar sua rotina. É hora de procurar um especialista se:
- Os sintomas não melhoram com antiácidos comuns.
- Você precisa de medicamentos para azia constantemente.
- A dor é intensa ou te acorda à noite.
- Você está perdendo peso sem motivo aparente.
- Sente dor ou dificuldade ao engolir.
Ignorar esses sinais pode levar a complicações como esofagite (inflamação do esôfago), úlceras e, em casos crônicos, aumentar o risco de condições mais graves.
Diagnóstico e Tratamentos Modernos em Florianópolis
Para confirmar o diagnóstico, o exame mais comum é a endoscopia digestiva alta. Ele nos permite visualizar o esôfago e o estômago por dentro, avaliar o grau de inflamação e descartar outras doenças.
Com o diagnóstico em mãos, definimos o tratamento, que pode ser:
- Clínico: Envolve mudanças no estilo de vida (dieta, perder peso, evitar deitar após comer) e o uso de medicamentos que reduzem a acidez do estômago.
- Cirúrgico: Quando o tratamento clínico não é suficiente ou o paciente não deseja depender de remédios a vida toda, a cirurgia é uma excelente opção. Hoje, realizamos o procedimento por modalidades minimamente invasivas e robóticas, o que significa cortes menores, menos dor no pós-operatório e uma recuperação muito mais rápida.
Mitos e Verdades sobre o Refluxo
Mito: "Tomar um copo de leite alivia a azia na hora."
O leite pode até dar uma sensação de alívio momentâneo por ser alcalino, mas sua gordura e cálcio estimulam a produção de mais ácido no estômago logo depois, causando um "efeito rebote" e piorando a queimação.
Verdade: "O estresse pode piorar os sintomas do refluxo."
Sim. Embora o estresse não cause o refluxo diretamente, ele pode aumentar a produção de ácido gástrico e deixar o esôfago mais sensível à dor, intensificando a percepção dos sintomas.
Mito: "Refluxo é só um incômodo, não é perigoso."
Este é um dos mitos mais perigosos. O refluxo crônico e sem tratamento agride constantemente o esôfago, podendo causar inflamações severas (esofagite), úlceras e uma condição chamada Esôfago de Barrett, que aumenta o risco de câncer.
Cuidado Humano que Faz a Diferença
Acredito que a tecnologia e a técnica precisam caminhar lado a lado com a empatia. Como a filha de um paciente me lembrou certa vez:
“em um momento muito desafiador, ele foi incrivelmente acolhedor, sempre com um sorriso”.
Essa conexão é fundamental para dar segurança e esperança durante o tratamento.